Gosto de Beatles, cachorros, noites escuras e luzes piscando sem parar. Falo pouco e quando falo, me embaralho toda. Por isso eu ando de olhos fechados, rápido e sem olhar para os lados, às vezes sem saber para onde ir, às vezes buscando mais um lugar desses onde possa ficar invisível, querendo ser vista. Acordo cedo, mas prefiro ver o Sol alto, o mundo já no meio, quando as coisas estão confusas e apressadas. Talvez porque não precise de muito pra viver. Solto o cabelo, pinto as unhas de vermelho e ponho fone nos ouvidos. Gosto do novo, das cores fortes, das sombras que escondem os rostos, dos olhares que procuram e me fogem. Só acredito nos extremos. E, cinicamente, te provo que posso. Quebro copos, me estilhaço com os cacos, rio alto e choro baixinho. Prefiro os amores rasgados, vermelhos, fundos e doídos. Busco. Busco como uma doida, sem saber o quê. Gosto do que já conheço, dos sentimentos que crescem e fogem do controle. Branco, amarelo e azul, é assim que as coisas ficam, claras e calmas. Me escapam palavras doces e sinceras, e nem sempre me arrependo. Porque sei que posso ser frágil, simples assim. E então eu sorrio em silêncio. "Coração de pedra", "cara de má"? Rs.. São apenas rostos e expressões.
Um beijo.